terça-feira, 24 de março de 2009

ato IV

se as palavras saem imprecisas, o que dizer dos meus pensamentos? ainda mais inomináveis, não sei o que me passa, mas das outras vezes que me ocorreu isso, foi um constate processo de demolição, minhas estruturas antigas ruíram e outras altas, ainda mais resistentes, se ergueram. deve ser esse o espetáculo de viver, que se renova muitas vezes, é só abrir os olhos e enxergar que a vida oferece inúmeras opções, e somos livres, e não escravos de cada escolha, sejamos otimistas, é o primeiro passo. estou de volta dessa vez como aventureiro forasteiro, eterno estrangeiro desse mundo enigmático

sábado, 14 de março de 2009

tinha ca pra mim

quarta-feira, 11 de março de 2009

torto

Um homem com uma dor caminha torto
Equilibrado pelo vento
e pela certeza de que cair fica só no quase, as pernas bambas caminham entorpecidas e autônomas
Mas o que faz desse homem torto, é o peso que carrega no peito, inflamado e pulsante, que tapa a respiração e dá ânsias de angustia, a vida querendo ser vomitada, ou melhor, a vida não conseguindo ser vomitada, impedida pela insistência dessa dor, que inclina o homem pra frente, embriagado de dor, ele respira o cheiro das folhas úmidas, para aumentar mais ainda sua dor, com a recordação de outras tardes perfumadas, quando a dor não era nem especulada, pára no poste apagado, que lhe oferece friamente um breve encosto e muita poeira, mas o homem com a dor não se importa com a poeira, nem com o suor, nem com seu hálito de boca fechada, toma força olha pro relógio sem memorizar a hora e lembra de andar, pra dor se atenuar, ele pisa nas folhas secas, que estalam de compaixão, compaixão de já terem sido rígidas e vibrantes, como esse torto homem já foi um dia, mas ele não se dá conta disso, só tem memoria pras coisas tristes e só consegue alimentar sua dor, que se exibe cada vez mais torta para o mundo dos retos, que zombam, acreditam que nunca serão atingidos pela dor, mas cuidado eretos, a dor gosta de entortar as pessoas, tome por exemplo a própria paisagem, onde volta e meia vê-se um homem torto, de cabeça baixa, ou ainda os galhos de arvores, que um dia ostentaram o topo, sentiram os ventos virgens, mas hoje so fazem sombra, se se misturam a outros galhos, na ardua tarefa de segurar folhas, úmidas e cintilantes.

terça-feira, 3 de março de 2009

só tenho a voz

E a vida, quantas vezes ela pode ser reinventada? Quantas vezes acreditamos estar a par de tudo aquilo que é idealizado, quantas vezes ainda temos certeza de o certo ser certo e o errado não ser certo? o que é certo, os impulsos naturais ou a negação desses? Enquanto não descubro vou me responsabilizando só pelo segundo seguinte, quem sabe numa brecha entre esse segundo eu faça uma revolução, só pela vilania de pular, bagunçar, questionar...meus limites morais oscilam trepidantes, ora entre o certo e o supostamente não-certo. Vou agindo como o momento pede, só tenho a certeza de que alguma coisa acontece no meu coração, que só quando vejo teu o corpo, cruzando as mãos.