terça-feira, 28 de outubro de 2008
a cadência que me bole
pra cima e pra baixo, pra cima e pra baixo, uma verticalidade hipnotizante, você correndo em minha direção, atravessando a rua, distante dos pensamentos, nem ligando em ser atropelada, se aproximando ofegante, sem cumprimentar e já emendando: pra onde vamos? e eu digo apontando a uma sombra: vamos ali. Alguns passos distantes, alguns instantes próximos, da cena que imaginamos: um beijo, colante, colado de super bonde.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
linha 222
_são dois e dez senhora...
_o que é isso? to tão velha assim? disse num tom amistoso, como se começasse um assunto, e catava as moedas devagar, como se não as enxergasse, apertando-as, na ânsia de fluir esse assunto que ela começava.
Fazia um dia quente, Osmar, que não perdia a graça nem a educação, ajeitou o colarinho e afrouxou as mangas, como quem vai pra briga, mas ao invés, sorriu, um sorriso sem vergonha dos tártaros e dentes se apertando (e se entortando), olhou para os dois lados como se aquilo fosse um ritual. Osmar era rei no transporte publico, se sentia na condição de tesoureiro da corte, arrecadava o dinheiro, e acreditava ter respeito, de todo mundo qeu panhava aquele ônibus, principalmente quando era de manhazinha, e as pessoas se espremiam apertadas, e ele relaxado e sorridente como já disse, na cadeira imponente, a mais alta de todas: a do cobrador.
_educação né senhora, sorriu e pausou lambendo os beiços de modo que ficassem polidos e refletissem o vermelho carne abundante, de beiços mal distribuidos, se excedendo em toda boca, "sou desse tempo que as pessoas se respeitavam", dessa vez o som era consonante, como quem anseia receber um elogio. Mas dona Herminia apenas sorriu, e continuou a catar as moedas, enquanto o onibus corria feroz, pulando de buraco em buraco.
Após doloridos dois segundos de silêncio Osmar sentia sua soberania abalada, não pelo fato de sua honra de galã estar abalada, porque não tinha interesse por dona Herminia. Só tinha interesse de ser concordado, e ter a razão, de ser elogiado. "hoje em dia ninguem mais se respeita" sorriu timido numa ultima tentativa de acender as brasas da conversa. Dona Herminia que tinha quebrado o encanto (talvez pela fala fanha ininteligível do trocador) achou as moedas e as entregou, saiu apressada, mas nem era de medo ou de decepção, é porque ela havia se recordado, que tinha pressa na vida, foi-se sentar lá atras. Osmar ficou encabulado o dia todo: ele era um demagogo latino (este por seu moralismo canônico), mas não sabia disso... se intitulava de rapaz correto, mas no fundo no fundo ele sabia que não era nada disso, era esse o seu prazer, mas agora havia falhado, e logo com dona Herminia, que ele nem queria.
_o que é isso? to tão velha assim? disse num tom amistoso, como se começasse um assunto, e catava as moedas devagar, como se não as enxergasse, apertando-as, na ânsia de fluir esse assunto que ela começava.
Fazia um dia quente, Osmar, que não perdia a graça nem a educação, ajeitou o colarinho e afrouxou as mangas, como quem vai pra briga, mas ao invés, sorriu, um sorriso sem vergonha dos tártaros e dentes se apertando (e se entortando), olhou para os dois lados como se aquilo fosse um ritual. Osmar era rei no transporte publico, se sentia na condição de tesoureiro da corte, arrecadava o dinheiro, e acreditava ter respeito, de todo mundo qeu panhava aquele ônibus, principalmente quando era de manhazinha, e as pessoas se espremiam apertadas, e ele relaxado e sorridente como já disse, na cadeira imponente, a mais alta de todas: a do cobrador.
_educação né senhora, sorriu e pausou lambendo os beiços de modo que ficassem polidos e refletissem o vermelho carne abundante, de beiços mal distribuidos, se excedendo em toda boca, "sou desse tempo que as pessoas se respeitavam", dessa vez o som era consonante, como quem anseia receber um elogio. Mas dona Herminia apenas sorriu, e continuou a catar as moedas, enquanto o onibus corria feroz, pulando de buraco em buraco.
Após doloridos dois segundos de silêncio Osmar sentia sua soberania abalada, não pelo fato de sua honra de galã estar abalada, porque não tinha interesse por dona Herminia. Só tinha interesse de ser concordado, e ter a razão, de ser elogiado. "hoje em dia ninguem mais se respeita" sorriu timido numa ultima tentativa de acender as brasas da conversa. Dona Herminia que tinha quebrado o encanto (talvez pela fala fanha ininteligível do trocador) achou as moedas e as entregou, saiu apressada, mas nem era de medo ou de decepção, é porque ela havia se recordado, que tinha pressa na vida, foi-se sentar lá atras. Osmar ficou encabulado o dia todo: ele era um demagogo latino (este por seu moralismo canônico), mas não sabia disso... se intitulava de rapaz correto, mas no fundo no fundo ele sabia que não era nada disso, era esse o seu prazer, mas agora havia falhado, e logo com dona Herminia, que ele nem queria.
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
cantando eu mando a tristeza embora
por alguns dias na vida, arrisquei. senti como ainda é frio lá fora, de como o futuro pode ser uma coisa estranha e tentadora. Observei bem nos detalhes, na cor das coisas, acho que aproveitei muita coisa, é como uma viagem para seu exterior: é um olhar crítico, com vossa pessoa, que principia "que esnobe da sua parte" e eu vos respondo "é só o que me resta ser". mergulhei bem fundo também, me embrenhei no recifes-corais, eu que senti o que é sentir o mar sobre a sua cabeça, a sombra do sol. mas isso é uma questão simples, eu já sabia antes: é só andar de bom humor no dia , no doce dia veranico, e ir esbarrando por ae, como quem nada quer, fazendo tudo parecer tão simples e engraçado. é boa demais essa vida, aproveitem, é só seguir a cadência certa, migrando de nota em nota. mi sol diz fá si lá si dó :D
sábado, 4 de outubro de 2008
eleiçãos..ééee... éeee... éé...
Já cruzei dois mares, cinco hectares, e 20 pares de atalhos, mas nunca entendi a dessa onda ae não, de correr com cartazes, dos nossos rapazes, de bom senso, e de boa opinião, bons números, em bons partidos, esse é o futuro politico do brasil, muita roubalheira e champanhe, e muitos cadáveres por baixo dos tapetes, debaixo de dois palmos, das areias do trem, e você vai com quem? eu fico com a galera do champanhe (mentira, por trás eu meto o pau, por isso, me chamam de emergente liberal)
domingo é dia de voto, é dia de fechar os olhos e pensar "puta que pariu essa eleição acabou com minha praia hoje"
*isto não é uma crítica
**isto não é um manifesto.
domingo é dia de voto, é dia de fechar os olhos e pensar "puta que pariu essa eleição acabou com minha praia hoje"
*isto não é uma crítica
**isto não é um manifesto.
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