quinta-feira, 28 de agosto de 2008

luz de meia vela



Compro distração, à vista, à prazo, parcelado com juro, distração é remédio para curar a minha dor, a dor de ficar sentado assim parado e mergulhar nos pensamentos improváveis, de quando a gente seria, o que se tornaria. minhas distrações são contradições que eu não aceitaria, vindo de ti, são explosões de esperaria, de ansias, faço todas as besteiras, mas tenho um ideal, um ideal que é sincero, cada vez que eu te admiro, provo isso, preciso nadar, mas quanto mais eu te nado, mais eu me afogo.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

aquilo tudo que eu decorei

Tudo que eu tento é incerto, porém de grande fé, enquanto experimento. Talvez seja um prazer caminhar a tatear, os objetos, experimentando algumas curvas, massas, temperaturas, sobretudo reações, impostas por sois. e o que me interrompe de ser incerto? a penúria da certeza, ainda que boa, não abala as bases da explosão da incerteza. O incerteza, tu és tal que em quantidade não é suficiente, que dos caminhos certos, tu passa distante.
Decapita-me se um dia tu não pagares em jóias jocosas tuas seguidoras mais leais. Por hora devo admitir: me exilaria em outro planeta, ao lado da certeza, que me une ao meu bloco.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

adiante

a folha branca a principio intimida... depois a gente vai dominando cada borda, rasgando os cantos, escrevendo com força, e nossa autoridade se impõe, e grita para todas as letras, atenção, sentido!" e as palavras vão saindo disciplinadas, ora pendendo pro emocional.... e quando partiu pro emocional já era, não tem uma virgula sem poesia, todos os movimentos parecem ensaiados, todos os passos pra proteger, as músicas, todas adequadas, tudo quanto banal e que não vive sem a ausência do causador, o causador do nosso imaginário, que surge imponente, bagunçando todas as lixeiras e saraivando os alarmes ligados, rodopiando nos meus erres puxados, meu corpo prestes a explodir.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

nossos minutos diários

nossos encontros são como ponte em canais, esticamos os braços e nos tocamos, e ficamos assim por alguns minutos, enveredando os dedos entrelaçados, que se mantem firme acima de tudo, pra que não escape nenhuma vez... e ficamos na janela, admirando à distância, com sorrisos calculados, duas estrofes de amor já nos distrai por uma noite, mas logo ja pensamos nas estrofes das noites seguintes, no seu assobio despretensioso é que eu pego carona, nas suas notas do instante eu consigo penetrar como ninguém, porque também posso senti-la.

domingo, 17 de agosto de 2008

em outro pais do teu território.

Ainda que eu pensasse o oposto,
não deixaria da minha face vazar
nenhuma expressão, porque é no ápice dos extremos
que eu te guio, com os exageros mais altos
que eu vou montando minhas idéias,
intercalando_com_as_suas


Na ausência mais banal é que a gente se ama, que quando bater o fim da tardinha
tu só penses em dizer que quer meu abraço,
no alto da pedra,
pra que a gente possa ver o horizonte
ultrapassando em tons,
na corola dos nossos olhos.


Eu penso enquanto entranço os laços do meu cadarço,
que teus pés pisam nessas calçadas do mundo,
e que eu tenho de correr
pra te ensinar todos os atalhos,
pra que a gente não atrase
nosso café da manhã


Me pesa te ver com cara de tédio,
eu faço qualquer bico pra não ver repousar
seus sentimentos,
puxo uns ganchos de assuntos visuais: tempo,
outdoor,
figurantes... porque meu prazer é esse,
te ver pensar a todo instante...


pintar teu sorriso é uma coisa mistificante,
porque a cada pincelada eu descubro um
contorno
que me paralisa, me faz sair da realidade
me faz pensar em coisas bobas
sem cores, esboços.


deixo que seque todas as minhas fontes, porque de manhã você me dira o mantra de três palavras, da ressurreição, e eu nasço outro, pra tentar te conquistar, em outro pais do teu território.

sábado, 16 de agosto de 2008

pedaços de papel

esperamos pausadamente até que a poeira baixe, e o motor já ronque lá longe, as mãos voltam automáticas uma a outra, num mimetismo não convincente, pendendo pro desespero, de terem se visto de longe por alguns segundos, e os olhos ja fecham logo, conforme o silencio da noite vai congelando os azulejos.
e a gente goze do bom humor, dos ruídos distorcidos e dos pássaros envergados. e quando são dois segundos de silêncio a vontade já bate de novo, de virar ciclone e sair pelo mundo, rodopiando.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

pedaços de noite

Depois de algumas temporadas finalmente encontrei uma sombra no sol, de duas da tarde, sorrindo pelas poluição das avenidas, vagando em cada calçada e olhando pelas tabelas, e esse olhar logo vira satisfação, de poder ver-te sorrindo.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

quero voltar ao sul

se dos teus dons e das tuas destruições, Oceano, as minhas mãos pudesse destinar uma medida, uma fruta, um fermento, escolheria o teu repouso distante, as linhas do teu aço, a tua extensão vigiada pelo ar e pela noite, e a energia do teu idioma branco que destroça e derruba as suas colunas na sua própria pureza demolida.

neruda