No meu balanço de fim de ano conclui mais do que nunca que se trata de fato de um balanço, balanço de idéias e opiniões contraditórias: minhas afirmações viraram negações, e vice e versa, minhas palavras mudam de fronteiras sem hesitar, não se limitam a acreditar, tendem também a desacreditar. meu discurso é ambíguo mas é intenso, sabe como é estar dos dois lados da moeda, no sim e no não, no ser e no não ser. Esse ano aceitei mais do que nunca, a crer na pluralidade.
Meu ardor romântico de mocidade se esvai a cada instante, e o que me resta são fragmentos de pedra: ora carvão, ora diamante, eu os aprecio em sua beleza bruta, e os guardo em meu turbante, quem sabe um dia eu cante ou simplesmente esqueça-os, mas não fujo da minha obrigação consciente de memora-los.
Perdi o poder das minhas afirmações, mas multipliquei minhas possibilidades nas divagações.
Cada dia mais acho que o homem é a perfeição da natureza: só ele tem condição de controlar sua idéia, crê-la e num segundo seguinte (por ação do espaço ou do imaginário) descrê-la, fingindo nem lembrar do motivo anterior. a memória não só é involuntária, pode se tornar omissa, dependendo do grau de dissimulação da pessoa.
Não me estranhará que a partir de agora eu mude de opinião e passe a desacreditar nisso aqui tudo, que eu acreditava alguns instantes, por capricho da minha discordância ou pela sinceridade da razão, em sua objetividade de ser.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
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