domingo, 29 de julho de 2007

Shhhhh

(editado)

Esses dias manti contato com o silêncio. É no silêncio que se nasce de novo. É no silêncio que se compreende as coisas. Acho que já citei várias vezes minha apreciação pelo silêncio.

Percebi que o ápice de um recital é o intervalo entre um movimento e outro, é a hora mais tensa: o medo da iniciação, a conclusão interminada, o medo do silêncio prolongado.

Essa mania de ansiedade, de querer controlar o futuro... Cada dia me contenho mais... é um exercício lento... lento como as reticências... cada segundo de silêncio é uma vitória sobre a ansiedade.

Essa semana parei numa praça e sentei.

Assim, esporádicamente... nem me dei ao trabalho de tentar entender esse impulso. Apenas sentei, fiquei por um bom tempo de braços cruzados, afinal, tempo é o que não falta pra mim.

Eu gosto de sentir o tempo, e descobri isso esses dias, gosto de sentir o vento do tempo, gosto de sentir o barulho do tempo, gosto do tempo entrando em mim, na minha pele... gosto do intervalo casual de digitar, gosto da pausa, do silêncio, do cessar do barulho dos teclados.

Acho que a vida na pressa passa mais rápido mesmo, o interessante é pausar, o interrompimento, a atualização do momento, sentir o presente... que não é mais presente, é passado... o presente a gente não consegue captar com o pensamento, ele é rápido demais. Dura um instante.

Essa semana suspirei mais que o normal, atrasei mais que o comum, sorri mais que o esperado.

Me ausentei de tudo, principalmente das pessoas, sou um irresponsável.

É que essa brincadeira de fotografar o presente é um ótimo passatempo.

e eu cobiço mais silêncio...
silêncio subíto
silêncio pausado. . . . .
silêncio personificado..shhh
silêncio mudo
silêncio das palavr .

*e hoje, segunda feira, fez um silêncio, um silêncio tão grande que acordei antes do normal, o silêncio foi quebrado pela voz do locutor dá rádio que eu sempre ouço quando estou dormindo, ele anunciou a morte de um grande ídolo, fiquei bastante triste, sobretudo porque ele era o cineasta que mais focava o silêncio, a dor muda.

Acho que nunca me ocorreu antes de eu ficar tão chateado com a morte de alguém que eu não conheço. Essa semana o silêncio está de luto.

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Alguns Quilômetros Além

Deixamos tudo de lado no começo da madrugada; móveis, quadros, jarros, frutas, molduras, roupas, tudo mesmo, deixamos nossas idéias largadas nos esboços soltos em cima da mesa, deixamos até a porta aberta, deixamos também nossos mascotes perdidos no escuro, em cima da geladeira.

E logo hoje foi chover?! molhou tudo, dinheiro, documento, cabelo, peças íntimas, mas eu nem ligo, eu queria era evaporar contigo.

Tuas mãos tem o cheiro carregado de sexo, que agora há pouco praticavamos dentro do carro, nesse acostamento escuro de barro, nessa estrada que leva a gente pro fim do mundo, alguns quilômetros da nossa vida.

Ainda tenho o teu gosto ácido na boca, teu pescoço quente que acalora meu peito, que agora vai desacelerando, repousando, parece que a bateria tá acabando.... o suor gelado da minha nuca relaxa no acolchoamento do carro, que eu comprei pra gente, pra gente fugir do mundo.

A chuva continua forte, mas o que eu ouço mesmo é tua respiração no meu ouvido, você vai me apertando a medida que o frio aumenta, e eu vou me arrepiando a medida que teu frio aumenta

Liguei o rádio, tá tocando uma música que eu acho chata e bobinha, mas agora ela me parece tão codjuvante, quebra a nossa íntimidade, e isso me deu um sensação boa. Assoprei teu cabelo esparso pela testa, e você deu aquele sorriso econômico, singelo, seus olhinhos infantis se comprimem logo.

Esse ímpeto de loucura ainda vai nos levar longe.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Distraídos Venceremos

"Eu tava meio distraído como sempre, tropeçando entre um buraco e outro, eu sempre ando assim na rua, olhando pro infinito, às vezes me guio pelo sol, acho que herdei esse hábito do meu pai. Dae uma mulher bem corcunda, com uma sacola de plástico na mão me dá um susto involuntário e me entrega um panfleto da igreja dela.... e sabe esse panfleto até era engraçado, tinha uma ilustração estranha com o título "as portas se abriram pra você", peguei por educação e sorri, continuei caminhando com o papel na mão, distraído como eu já disse.

Fui praticar um pouquinho de exercício e coloquei o papel na minha mochila, no meu breve descanso, respirando os ares densos de segunda feira, notei algo, que eu não vou contar porque vocês já devem saber o que é... quer dizer, nem devem, é aquela coisa dos longos suspiros, breves arrepios, milhões de informações por segundo, foi a explosão, desejei aquilo tudo pra mim... acho que nunca desejei tanto uma pessoa.

E com um jogo de olhares aqui e ali, acabou que deu certo, não durou mais de dois meses sabe, mas aprendi muita coisa, foi um momento mágico da minha vida, só fui perceber isso hoje, quando começou a chover muito e eu fui pegar meu guarda-chuva e o panfleto estava lá escondidinho. De fato as portas se abriram pra mim naquele dia.

Dae já guardei o papel dentro do bolso de uma calça, pra qualquer dia lembrar da sorte que eu vou ter daqui a pouco!"


Encontrei isso por ae, perdido, dentro dos meus eu´s...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Teima

Sobre meus "eus" eu tenho a dizer é que é tudo clímax, tudo fruto de uma insanidade inocente, que não sabe pra onde corre. Mas quem disse que eu preciso ter caminho... foi isso que argumentei, pausadamente, entre um gole e outro.

Na verdade eu nem sei o que é caminho, já sentei naquela lápide (apontei) dezenas de vezes, lamentando os mesmos descasos, os mesmos círculos, estou em órbita dentro do mesmo sistema, um copo de café aqui, uma pitada de bossa ali, um Cello cá, e isso modifica um pouco, tira do caos.
Caminho pra mim é o contorno do excessivo, a obstinação... conclui me retirando.

É mas voltei chutando as mesmas pedrinhas, sentidos os mesmos ventos a leste, suspirando os mesmos cheiros de saudades, de um passado que foi trilha, prosa, desenho e efêmero.

Mas nesse voltar ouvi um E7+ dedilhado, ahh, era aquela mesma música que a manhã sempre me aprontava, reconheci pelo primeiro acorde, como haveria de esquecer aquela canção que era meu consolo na noite, no isolado e na ansiedade?
O sol laranja e genioso já aparecia na minha janela zombando dos meus desvarios... sorri quase que infinitamente, quase gargalhadamente, deitei no meu travesseiro e suspirei como tantas outras vezes: _C'est la vie...

Sem Retórica

Essa semana perdi toda minha sensibilidade pra escrever, estou sofrendo de anomia... acho que ler muito Jabor faz mal pro humor e pro lírico.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Em tempo...

Quando eu era novinho, na sala de aula, a professora sempre chegava com uma música, um livro pra apresentar pra turma, dae eu pensava:
_que grande bobeira, coisa de menina.
Nunca interagia, ficava de braços cruzados, o sabidão orgulhoso. Nas aulas de educação física era a mesma coisa, todo mundo aquecendo e eu lá no canto, de braços cruzados, bocejando.
Acho que com isso aprendi a pular etapas, só fui tomar gosto pela literatura aos 15 anos, música só depois dos 14... esportes depois dos 10 (e até hoje sem o menor rigor físico)...


Pode parecer frase clichê de fábula infantil, mas isso de querer se adiantar só atrasa.

Um dia desses eu tava meio distraído pela rua, andava olhando tudo 10 metros adiante, tropecei em uma tartaruga retardatária enorme, caímos os dois, ela meio de lado, e eu meio de frente.

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Ponto

Essa semana eu li um livro tão chato, que não vou nem citar o autor... encalhei na segunda metade.. foi um deus-dará pra terminar de ler, teve até julgamento, pus o livro em cima da mesa... fiquei olhando pra capa: termino ou deixo de lado? Terminei por compaixão aos outros livros da prateleira de espera, terminei também por esse novo desejo de conseguir terminar tudo que eu começo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Esboço

Trocaria meu álbum de aniversário por fotos tuas, quando criança.